Qual é o aparelho psíquico de Sigmund Freud?

1853
Jonah Lester
Qual é o aparelho psíquico de Sigmund Freud?

O aparelho psíquico refere-se à mente humana a partir da teoria psicanalítica proposta por Sigmund Freud. O famoso psicólogo usa esse termo para se referir a uma estrutura psíquica capaz de transmitir, transformar e conter a energia psíquica..

Segundo a primeira teoria freudiana (1900), o aparelho psíquico é dividido em três níveis, o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. Essa estrutura é composta por três instâncias que coexistem e se inter-relacionam, integrando-se em diferentes níveis..

Essas instâncias são o Id, o Ego e o Superego, que são descritos a partir do segundo tópico ou teoria proposta por Freud em 1923 para compreender o funcionamento do psiquismo..

Dessa forma, o aparelho psíquico é constituído por sistemas que possuem características próprias e funções distintas. Interagindo entre si e gerando as diferentes elaborações psíquicas.

A principal função do aparelho psíquico é manter a energia interna em equilíbrio constante, sendo o princípio da homeostase a regra sob a qual funciona..

Seu objetivo é manter os níveis de excitação os mais baixos possíveis, ou seja, o aumento da energia psíquica que pode ser produzida por fatores internos e externos..

Para Freud, o aparelho psíquico é o resultado da elaboração do complexo de Édipo por meio do qual as identificações com os pais são produzidas na criança..

Índice do artigo

  • 1 Conceitos inerentes ao funcionamento do aparelho psíquico 
    • 1.1 Prazer e desprazer
  • 2 Os elementos componentes do aparelho psíquico no primeiro tópico freudiano
    • 2.1 Consciência
    • 2.2 Pré-consciente
    • 2.3 Inconsciente
  • 3 A estrutura do aparelho psíquico no segundo tópico freudiano
    • 3.1 O It
    • 3.2 O I
    • 3.3 O superego
  • 4 referências

Conceitos inerentes ao funcionamento do aparelho psíquico 

Sigmund Freud, neurologista considerado o pai da psicanálise, estava interessado em entender o dilema dos sintomas que não tinham uma explicação científica para explicá-los. Como resultado de sua pesquisa, ele encontrou um funcionamento psíquico oculto por trás dos sintomas físicos.

Ele concebeu em cada indivíduo a existência de um aparelho psíquico cuja base é um inconsciente repleto de desejos e necessidades que constituem o mundo interno de cada sujeito..

Fora desse inconsciente existe um mundo externo, cheio de estímulos, com o qual o indivíduo interage constantemente.

Prazer e desprazer

Freud reduziu todas as emoções e sentimentos a dois afetos principais: prazer e desprazer. O prazer é produzido pela satisfação da necessidade e do próprio desejo, enquanto o desprazer é produzido pela frustração produzida pela não realização desse desejo. Outros efeitos serão derivados desses dois efeitos principais.

É por meio do princípio do prazer que o aparelho psíquico regerá seu funcionamento. Sua função é moderar variações excessivas da energia psíquica para prevenir sua desorganização e preservar sua estrutura..

Dessa forma, o aparelho psíquico tentará manter o nível de energia em equilíbrio, que tende a se desequilibrar por meio de estímulos internos e externos..

Esta é uma lei do aparelho psíquico, chamada princípio da homeostase. É por meio dela que o aparelho psíquico tenta nivelar a quantidade de prazer e desprazer, mantendo esses valores em equilíbrio..

Dessa forma, a partir da perspectiva psicanalítica proposta por Freud, a psicanálise tenta explicar o funcionamento do psiquismo, destacando a importância e a existência de um inconsciente que está na base, ou sustenta essa estrutura..

Ao mesmo tempo, destaca a importância do papel dos impulsos (entendidos em termos de energia sexual).

Desenvolve uma teoria da psique de um ponto de vista dinâmico, uma vez que as instâncias componentes do aparelho psíquico se inter-relacionam, geram e resolvem conflitos de diferentes tipos.

Do ponto de vista econômico, o funcionamento do aparelho psíquico é considerado em relação à quantidade de energia presente nele..

Essa energia pode se acumular e gerar uma tensão psíquica que o psiquismo terá que resolver, sempre tentando manter o equilíbrio para evitar seus transbordamentos, e enquanto isso, os sintomas no sujeito. 

Os elementos componentes do aparelho psíquico no primeiro tópico freudiano

Em seu primeiro tópico (1900), Freud dividiu o aparelho psíquico em três níveis, que são, ao mesmo tempo, três elementos constitutivos deste..

  • Consciente
  • Pré-consciente
  • Inconsciente

O sistema consciente é aquele relacionado à percepção e memória. Não porque seja capaz de memorizar (isso corresponde ao sistema pré-consciente), mas porque entre suas funções está a de lembrar.

De fora para dentro, pode ser localizado como o primeiro sistema, entre o mundo externo e o pré-consciente.

A função deste sistema é registrar informações de ambos os mundos, o interno e o externo. Sendo sua principal responsabilidade perceber os estímulos vindos de ambos.

As funções inerentes a este sistema são aquelas relacionadas ao raciocínio, pensamento e memória ou memória. É o consciente que tem o domínio e controle deles.

Consciência

Está associada à consciência, entendida como o ato psíquico por meio do qual o indivíduo se percebe como alguém diferenciado do mundo que o cerca. Este sistema relaciona diretamente o sujeito com o mundo exterior por meio da percepção.

A consciência está localizada no presente, então o sujeito está ciente no ato de todas as experiências que está vivenciando por meio da percepção da realidade. Este sistema é regido pelo prazer, que tentará alcançar por todos os meios.

O consciente tem um caráter moral, e é entre os três níveis, aquele que exigirá ordem dos outros dois sistemas com os quais se relaciona.

Pré-consciente

O sistema pré-consciente pode estar localizado entre os outros dois sistemas. Nele estão os pensamentos ou experiências que não eram mais conscientes, mas podem se tornar novamente através do esforço deste último para relembrá-los.

É neste sistema que se encontram os pensamentos que não estão na consciência, mas também no inconsciente, uma vez que não foram submetidos a nenhuma censura..

Ou seja, os pensamentos alojados neste sistema foram despojados de consciência porque ele está constantemente percebendo.

É assim que a informação que chega por meio das percepções deixará de estar no sistema consciente para passar para o sistema pré-consciente, podendo passar de um sistema a outro sem maiores inconvenientes..

Este sistema, portanto, contém elementos que vêm do mundo externo e da consciência. Também aqueles que avançam do inconsciente para a consciência, atuando como um filtro para impedir a passagem daqueles que podem causar danos..

Inconsciente

O sistema inconsciente é aquele que contém todos os pensamentos e percepções que foram rejeitados pela consciência e nos quais uma censura operou.

Esses conteúdos são, em sua maioria, representantes daqueles elementos reprimidos na infância. Referem-se a tudo o que foi negado pela repressão, pois geram desagrado à consciência. É assim que o sistema inconsciente é governado pelo princípio do prazer.

Esses elementos tentam acessar a consciência gerando uma força ou tipo de tensão psíquica que é limitada ou desacelerada por meio da censura..

Este sistema é descrito como o espaço onde os impulsos, sentimentos, desejos e memórias reprimidos estão em conflito com a moralidade da consciência. Sendo por este motivo que estes elementos são inacessíveis para esta.

O inconsciente é caracterizado por ser atemporal. Não tem noção de passado ou futuro, mas está sempre presente. Tudo o que acontece nele é de natureza atual.

A estrutura do aparelho psíquico no segundo tópico freudiano

À medida que Freud avançava em suas pesquisas, em 1923 fez uma reformulação da teoria do aparelho psíquico apresentada até então..

Esta nova teoria ou segundo tópico complementa a proposta anteriormente. Freud então apresenta o aparelho psíquico dividido em três instâncias:

  • A coisa
  • O Eu
  • O super eu

A coisa

O Id é o local onde se encontram as energias psíquicas de natureza erótica ou libidinal, as energias psíquicas de origem agressiva ou destrutiva e as de natureza sexual..

Essa instância é constituída por impulsos de origem instintiva, regidos pelo princípio do prazer (busca da satisfação imediata do impulso). Ou seja, representa o instinto.

O It é todo inconsciente, mas apenas uma parte dele possui elementos reprimidos, porque no resto, é onde os elementos de caráter hereditário e inato são encontrados..

O Eu

O eu é aquele que passa a representar a consciência ou o consciente do tópico anterior. Está em uma relação de dependência em relação ao id e ao superego.

É a instância psíquica encarregada de defender o sujeito contra a percepção de algo desagradável, iniciando o processo de repressão..

O Ego atua como mediador entre o sujeito e a realidade vinda do mundo externo e, entre o Id e o Superego..

Por estar em contato com a realidade, o eu se apresenta como adaptativo. Ser responsável por manter o corpo em equilíbrio.

O superego

O superego é a terceira instância componente do aparelho psíquico, resultante da separação do ego. Ele aparece como um crítico e juiz censurando-o. É a parte inconsciente da personalidade que controla as atividades conscientes.

O superego representa as ideias de autopreservação, consciência moral, autocrítica, culpa e autopunição, entre outras. Sua missão é ir contra a gratificação de impulsos que rompam com a ética e a moral do sujeito..

É o apoio de todas as proibições e de todas as obrigações sociais e culturais. É uma instância formada a partir do complexo de Édipo, onde a criança consegue se identificar com os pais, com suas demandas e proibições..

Esta instância é então representativa dos ideais aos quais eu aspiro ser. 

Ao final de sua teoria, Freud faz uma síntese onde os elementos e instâncias psíquicas se integram..

Estas são algumas conceituações freudianas correspondentes à elaboração da teoria constitutiva do aparelho psíquico e seu funcionamento..

Referências

  1. Assoun, P.-L. (2006). Freud e Nietzsche. A&C Black.
  2. Elliott, A. (2015). Sujeito a nós mesmos: uma introdução a Freud, psicanálise e teoria social.
  3. Erwin, E. (2002). The Freud Encyclopedia: Theory, Therapy, and Culture. Taylor e Francis.
  4. Freedman, N. (2013). Estruturas comunicativas e estruturas psíquicas: uma interpretação psicanalítica da comunicação. Springer Science & Business Media.
  5. Lehrer, R. (1995). Presença de Nietzsche na vida e no pensamento de Freud: sobre as origens de uma psicologia do funcionamento mental inconsciente dinâmico. SUNY Press.
  6. Meissner, W. W. (2000). Freud e psicanálise. University of Notre Dame Press.
  7. Salman Akhtar, M. K. (2011). Sobre o "Além do princípio do prazer" de Freud. Livros Karnac.
  8. Stewart, W. A. ​​(2013). Psicanálise (RLE: Freud): os primeiros dez anos 1888-1898.
  9. Toby Gelfand, J. K. (2013). Freud e a história da psicanálise.

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